Professor: o profissional mais importante do país

Priscila Cruz

Priscila Cruz

Amanhã, 28 de abril, celebramos o Dia da Educação. E você sabe o que ou quem mais influencia diretamente o aprendizado dos alunos? O professor, claro!

Mas se esse profissional é o que mais influencia diretamente a Educação de nossas crianças e jovens, por que a profissão anda tão desvalorizada em nosso país? Para termos uma ideia, de acordo com uma recente pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita e pela Fundação Carlos Chagas, apenas 2% dos alunos que saem do ensino médio querem ser professores.

Isso é muito preocupante. Se o professor é quem mais impacta o aprendizado dos alunos, essa é uma profissão absolutamente necessária para apoiar o desenvolvimento intelectual das crianças e dos jovens, especialmente para a formação de pessoas capazes de resolver os complexos problemas do mundo atual, ampliando as possibilidades de inovação e de justiça social.

Para me ajudar a entender um pouco melhor o atual cenário desse profissional no Brasil, conversei com Miguel Thompson, diretor do Instituto Singularidades, organização especializada em formação de professores. 

De acordo com ele, é necessário olhar a profissão de maneira realista, deixando um pouco de lado os dois extremos – a visão mais romântica ou a mais pessimista. Thompson pontuou quatro questões que os jovens que estão prestes a escolher a futura profissão devem levar em consideração. São elas:

1. Propósitos

O professor pode, efetivamente, contribuir com o desenvolvimento individual das pessoas e deixar um legado de melhora das qualidades pessoais e das relações humanas, influindo decisivamente nos caminhos da sociedade. Em qualquer época essa possibilidade é muito importante, mas especificamente neste momento, em que o Brasil se encontra em meio a transformações políticas, sociais, econômicas e culturais, a função docente passa a ser um pilar indutor de mudanças desejáveis pelo conjunto da sociedade.

2. Carreira

Apesar do que comumente se afirma, vem-se promovendo no país um conjunto de políticas visando à melhoria da educação, em cujo bojo se inclui o aumento da remuneração de professores. Em alguns municípios brasileiros o salário de um professor concursado ultrapassa 5 mil reais. Além disso, em muitas redes de ensino há investimentos em formação continuada como uma oportunidade de progressão na carreira, que inclui remunerações mais elevadas. Especializações, mestrados e doutorados são títulos muito apreciados no setor educativo público ou privado e incentivam essa progressão. 

3. Benefícios

A flexibilidade do horário de trabalho é um deles. Esse tempo pode ser utilizado para o desenvolvimento de estudos paralelos, como pós-graduações ou a atuação em outras áreas da educação. Outro benefício consiste no fato de existirem postos de trabalhos para esse profissional em qualquer município brasileiro. Vale pontuar também que a função de professor permite que ele tenha contato constante com especialistas de diferentes áreas e com jovens, possibilitando a atualização permanente desse profissional e o acesso a novos costumes e tendências da sociedade, muitas vezes difícil em profissões que atuam apenas com o mundo adulto, mais conservador. 

4. Mercado

O cenário atual da educação brasileira é bastante favorável à empregabilidade do professor. Dados divulgados recentemente pelo MEC evidenciam que o déficit de professores, especialmente na área de exatas, ainda é grande e um desafio a ser superado. Para profissionais qualificados, as opções são inúmeras, tanto no setor público como no privado. No momento, há uma grande perspectiva de investimento público na formação de professores e na educação como um todo. O setor educativo também é bastante dinâmico, com a entrada de grandes corporações educativas e o florescimento de um terceiro setor cada vez mais influente e envolvido na educação. 

Claro que essas possibilidades são vantajosas, mas muitas vezes elas não se concretizam pela má gestão pública, que não foca a carreira docente; pela necessidade de o professor ter que dar aulas em mais de uma escola; pelas condições de trabalho encontradas nas escolas; e pela falta de apoio e valorização da própria sociedade. Se quisermos realmente mudar o país para melhor, com mais oportunidades para todos e menos desigualdades, é preciso colocar o professor de uma vez por todas como o profissional mais importante e estratégico do Brasil. Não há país que exceda a qualidade de seus professores.

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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