Educação: quando vamos falar sobre isso?

Priscila Cruz

Priscila Cruz

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Você conhece a cena. Apita o Whatsapp, o email, o SMS: vamos dar um pulinho ali no café? Às vezes o convite é para um bar, outras vezes, um parque. De qualquer forma, consagramos esse proseado entre amigos por "conversa de bar". Grandes entendimentos nacionais e discussões coletivas nascem e se fortalecem nesses debates descontraídos. Mas o que a gente tem colocado na roda?

Corrupção, sem dúvida, é o assunto número um – inclusive esse é o tema de maior preocupação, segundo pesquisas recentes. A (in)segurança pública também não pode faltar. A Educação até aparece, mas sempre embalada pelo senso comum. Eu que estou na área da Educação há muitos anos, ouço coisas como: "tem que acabar com essa história de aluno passar de ano de qualquer jeito", "político não quer o povo educado", "o problema é a família, que não se envolve".

Se mesmo dentro de nossa casa, quando temos filhos, o assunto não vai muito além de um magro e amarelado "como foi a escola hoje?", imagine nos espaços públicos! Naturalmente, essa dificuldade de qualificar o debate sobre o tema não tem uma única explicação e exigiria muitos especialistas para chegarmos a um consenso. Mas o tempo urge. Estamos prestes a eleger um novo ou nova Presidente da República e a Educação de qualidade não pode ficar fora dessa. Dos bares às redações de jornais, perguntas como "Quem será o novo ministro da Educação?", "Quais são as propostas para os professores?" e "Como melhorar a aprendizagem?" devem contagiar todos os debates.

Uma pesquisa recente da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação) confirma que há interesse para assuntos relacionados à Educação. O levantamento feito pelo Instituto Datafolha aponta, no entanto, que o interesse do público por reportagens e notícias sobre o tema diminui à medida que os tópicos se distanciam do cotidiano da realidade escolar. Precisamos, portanto, falar mais e melhor de Educação.

Mas como? Os palavrões técnicos precisam deixar os documentos oficiais e ganhar vida, porque é disso que trata a Educação. É lá na escola que se começa a tecer a realidade nacional e se não gostamos do cenário atual, não é por acaso. Sem boas escolas, uma vida coletiva com qualidade, equidade e justiça será muito difícil.

Para emplacar essa conversa, estamos fazendo, em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, o Diálogos #EducaçãoJá, uma série de encontros com os candidatos à Presidência para debater questões centrais do ensino brasileiro. Duas conversas já aconteceram: a primeira com o candidato Ciro Gomes (PDT) e a segunda com Marina Silva (Rede).

O espaço pareceu acertado, pudemos ouvir os presidenciáveis falar de Educação com tempo e profundidade. O candidato Ciro Gomes, por exemplo, discorreu longamente sobre a necessidade de dar atenção especial às fontes de recursos da Educação e sobre como o ensino integral é absolutamente necessário para avançarmos na qualidade do ensino. Já a candidata Marina Silva enfatizou a necessidade de a União exercer um papel articulador, a fim de que o Brasil definitivamente avance na concretização do Plano Nacional de Educação (PNE) e na criação de planos locais para a Primeira Infância.

A série de encontros e a pesquisa da Jeduca acompanham a crescente conscientização do povo brasileiro sobre a importância da Educação. Segundo um levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a maioria da população sabe que um ensino de baixa qualidade é prejudicial não apenas para o indivíduo, mas para todo o País. Não poderia haver hora melhor para aprofundarmos esse debate e cobrarmos que o/a futuro/a presidente do Brasil faça da Educação um tópico central do seu plano de governo e dos debates com os eleitores. Assim como ocorre no Diálogos #EducaçãoJá, é importante que os candidatos e candidatas apresentem propostas de governo que conversem com os desafios reais da escola, mirando resultados concretos.

Tudo aquilo que deriva de uma boa formação escolar integral (tolerância, desenvolvimento econômico, senso crítico, honestidade, pesquisa e respeito) está desmoronando ao nosso redor. A população já se ligou! E, cada vez mais, gestores corruptos e ineficientes que deixam a Educação de lado terão problemas. A tendência é a demanda por melhorias para a área aumentar e a oportunidade de qualificar esse debate, como se vê, está posta.

Os Diálogos #EducaçãoJá com os candidatos Marina Silva e Ciro Gomes podem ser acessados na íntegra na página do Facebook do Todos Pela Educação. E haverá mais conversa sobre Educação nos próximos dias. O candidato pelo PSDB, Geraldo Alckmin, revelará suas propostas para a área hoje, às 10h. Amanhã, no mesmo horário, conversaremos com o representante da candidatura do PT, Fernando Haddad.

Você é convidado/a mais que especial. Envie perguntas sobre o ensino brasileiro nos canais do Todos Pela Educação, usando a hashtag #EducacaoJá Vamos juntos colocar a Educação de qualidade na boca do povo!

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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