Todos os filhos da nação

Priscila Cruz

Priscila Cruz

  • Campanha Reduca 2016 / D4G

Nem precisamos de pesquisa – apesar de existirem várias – para saber que as mães e os pais sempre querem para seus filhos uma vida melhor do que a que tiveram. Todos nós também sabemos que a educação é a porta de entrada para essa vida com mais oportunidades. A escolaridade média tem crescido por aqui, e metade – mais precisamente, 51,2% – dos jovens já ultrapassaram o nível de escolaridade de seus pais. Mas... e a metade vazia desse copo?

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa com mais de 58 mil pessoas mostrando a influência direta do nível educacional e de renda dos pais na trajetória profissional dos filhos no Brasil. Os dados revelam que a escolaridade e o salário dos filhos são mais elevados quando os pais apresentam nível superior completo e empregos melhores. No caso da renda de filhos que não têm instrução, ela também aumenta conforme a escolaridade da mãe ou do pai. O IBGE constatou que o salário de um indivíduo de 25 anos ou mais pode variar até R$ 1.607 – um valor bastante alto – conforme a formação do seu pai!

A nossa mobilidade educacional entre gerações ainda é baixa para a população mais pobre e menos escolarizada. Nas famílias em que os pais não são alfabetizados, apenas 4% dos filhos conseguem o diploma de nível superior. Mas a situação é bem melhor no outro extremo: 69,1% dos jovens de famílias cujos pais eram formados conseguem terminar a graduação.

Já comentamos aqui quanto e como a pobreza e a baixa escolaridade dos pais afetam a qualidade do percurso escolar dos filhos. Essas crianças precisam ter mais contato com atividades e conhecimentos culturais e esportivos, imprescindíveis para o seu desenvolvimento cognitivo. Livros, museus e brinquedos educativos são oportunidades que, dadas na infância, farão toda a diferença lá na frente, quando chegar a idade adulta.

Pois bem. Se já sabemos disso, a escola pública que atende a população mais pobre precisa receber muito mais recursos financeiros e técnicos da gestão pública e apoio da sociedade. O entorno dessas escolas precisa ser mais rico em equipamentos públicos: bibliotecas, posto de saúde, quadras e teatros!

Mas, afinal, o que resolve o quê? O combate à pobreza vai resolver a educação ou o contrário? A resposta: os dois se complementam.

Então, quer melhorar a vida não só dos seus filhos, mas de todos os filhos do Brasil? Ajude a educação pública! Não sabe por onde começar? Deixo aqui algumas ideias: www.5atitudes.org.br.

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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