A educação brasileira e o mundo: onde estamos?

Priscila Cruz

Priscila Cruz

Muito se fala sobre o fato de a escola não preparar o jovem para o mundo lá fora. Esse debate veio novamente à tona, com força total, por conta da proposta de mudanças no modelo de Ensino Médio que temos no Brasil, já que é consenso que o nosso sistema educacional não conversa com as necessidades da nossa juventude.

Mas... e em comparação com o restante do mundo? Como anda o ensino dos jovens de outros países? Temos como compará-lo com o Brasil? Sim, temos: por meio do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), uma avaliação já bastante consolidada no meio educacional. Ele existe desde 1997, com o objetivo de avaliar as capacidades e conhecimentos dos alunos de 15 anos, que são importantes para que eles prossigam nos estudos.

A prova é realizada a cada três anos, em 72 países e economias, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), totalizando mais de 23 mil estudantes de escolas públicas e particulares. É composta por três áreas – leitura, matemática e ciências –, sendo que a cada edição uma delas é priorizada, com mais questões e problemas para resolver.

Na edição de 2015, cujos resultados foram divulgados ontem, a área em evidência foi a de ciências. Entre os dados destacados pelo relatório da OCDE, vale ressaltar:

  • em leitura, nossa média foi de 407 pontos, enquanto a da OCDE foi de 493. Além disso, estamos estagnados, já que em 2012 obtivemos a mesma pontuação;
     
  • já em matemática, o Brasil pontou 377. A média dos outros países participantes foi de 490 pontos – a maior distância entre todas as áreas avaliadas. Apesar de ter feito
    menos pontos do que no Pisa de 2012 (389), o Brasil avançou nessa área de conhecimento desde 2003, com um ganho médio de 6 pontos a cada ciclo de três anos;
     
  • a pontuação média dos jovens brasileiros na avaliação de ciências foi de 401 pontos, bastante inferior à média dos outros países, que foi de 493, e sem mudança significativa em relação à de 2012 (402 pontos).

A baixa pontuação em ciências é preocupante porque, segundo o próprio Pisa, cerca de 40% dos estudantes brasileiros querem ter uma carreira profissional em áreas ligadas a ciência e tecnologia – e, como se vê, terão dificuldades em prosseguir os estudos.

De maneira geral, o Pisa repete aquilo que já sabemos: nossos jovens chegam ao Ensino Médio – e saem dele – sem saber o suficiente para prosseguir os estudos e dominar as habilidades necessárias para exercerem as mais diversas profissões ao longo da vida.

Apesar do quadro geral, destaco também algumas boas notícias – todas referentes às ciências, já que o foco maior na área contou com questionários específicos:

  • pouco mais de 50% dos nossos estudantes afirmaram que gostam de ler e têm interesse em assuntos científicos;
     
  • cerca de 80% dos jovens disseram que contam com o apoio e a ajuda de seus professores nas aulas de ciências;
     
  • o apoio da família é fundamental para o desempenho dos jovens, assim como a sensação de pertencimento à escola e à comunidade escolar.

Priorizar a educação é colocá-la no eixo central de desenvolvimento do Brasil, fazendo com que nossos jovens tenham mais oportunidades no futuro, onde quer que estejam e no que quer que trabalhem.

Ao tomar conhecimento desses dados que nos colocam em comparação com o resto do mundo, alguém tem alguma dúvida da urgência disso?

Para saber mais, veja o site oficial do Pisa (em inglês). Veja também os dados do Brasil no site do Inep.

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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