O que os alunos aprendem na escola é relevante?

Priscila Cruz

Priscila Cruz

Se você acha que a medida de relevância da educação básica é passar no vestibular ou ter nota alta no Enem, então, por favor, leia este texto até o fim e depois me conte o que acha.

A Constituição Federal diz que os nossos alunos têm o direito a uma educação que os prepare para a vida, para o mundo do trabalho e para a cidadania.

Genérico, não?

Mas, isso dá a medida de como é ampla a missão da educação e mostra que ela vai muito além de uma prova no final do ensino médio.

Esse mesmo enunciado pareceria correto se escrito no século passado (como de fato foi, na Constituição Federal de 1988), no século anterior e até antes. Em pleno século 21, porém, o direito à educação precisa ser compreendido sob um contexto atualizado, que compreende:

  • Uma crescente interconectividade entre pessoas, comunidades e países, seja pela globalização ou pelo desenvolvimento tecnológico; 
  • Uma dinâmica de modernidade que exige de todos nós, a todo momento, em todas as idades, a capacidade de seguir sempre aprendendo; 
  • Por fim, mas sem querer esgotar esta lista, uma diversidade de competências e habilidades importantes para navegar no século 21, seja na vida em sociedade ou no trabalho.

Já são muitos os fóruns no mundo debatendo a educação relevante para o século 21 e quais as aprendizagens necessárias hoje para garantir mais qualidade de vida para todos os cidadãos em um sistema de desenvolvimento mais sustentável – e já que estamos debatendo e construindo a Base Nacional Comum no Brasil, essa é a oportunidade para tornarmos a educação mais relevante frente a essas novas realidades.

A Unesco tem realizado consultas com especialistas do mundo todo e chegou às seguintes competências básicas que precisam ser garantidas aos alunos para que tenham acesso a uma educação cidadã e global:

  • Entendimento de questões e tendências globais e conhecimento e respeito a valores universais como a paz, os direitos humanos, a diversidade, a justiça, a democracia, a não-discriminação, a tolerância;
  • Habilidades para pensamento crítico, criativo e inovador, resolução de problemas e tomada de decisões. Aqui, o domínio das linguagens, tanto da Língua Portuguesa quanto da Matemática é fundamental;
  • Habilidades socioemocionais como empatia, abertura para novas perspectivas e experiências, habilidade de comunicação e aptidão para trabalho em rede, capacidade comportamental para lançar e se engajar em ações proativas.

Volte agora para a pergunta inicial. Você teve acesso a todas essas aprendizagens quando estava na escola? E seus filhos, na escola em que eles estudam?

Claro que passar no vestibular, entrar na faculdade, é importante. Mas apenas isso não basta para preparar para a vida.

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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