Mãe, em quem você vai votar?

Priscila Cruz

Priscila Cruz

O título da coluna desta semana traz uma pergunta bastante comum nesta época na casa das famílias brasileiras. Afinal, temos eleições para presidente, governadores, deputados e senadores num ano, e dois anos depois votamos para prefeitos e vereadores – sempre no segundo semestre. Assim, os meses de setembro e outubro são marcados, bienalmente, por uma enxurrada de propaganda política na televisão, no rádio, na internet e em diversos outros formatos – de balões a folhetos impressos. Além disso, o tema invade as conversas nas ruas, nas redes sociais e – como não poderia deixar de ser – nas escolas, despertando o interesse das crianças e dos adolescentes.

A primeira eleição de que eu me lembro foi para governador de São Paulo, em 1982. Recordo-me até hoje dos candidatos – inclusive de qual deles o meu pai apoiava. Eu estava na 2ª série e "quem ia votar em quem" era o assunto dentro da escola.

Hoje, observo minhas filhas atentas ao assunto. A maior, que acabou de fazer 8 anos, recentemente disse enquanto assistíamos juntas ao horário eleitoral na TV: "Mamãe, eu acho que esses candidatos que não mexem a testa não estão falando a verdade!". Foi quando ela descobriu que existe um negócio chamado botox...

Brincadeiras à parte, como há duas semanas tratei aqui das obrigações dos futuros prefeitos na área de educação, hoje gostaria de falar sobre como as eleições podem ser um assunto bastante educativo!

Uma boa maneira de conversar com seus filhos sobre o processo eleitoral é perguntar a eles se participam das decisões da sua escola. Essa participação pode se dar de diversas maneiras. Uma delas é por meio do grêmio escolar, composto pelos alunos com o objetivo de representar o corpo discente de forma autônoma. Algumas das funções do grêmio são:

  • promover o diálogo entre estudantes e profissionais da educação, como professores, coordenadores e o diretor;
  • defender os interesses dos alunos;
  • realizar atividades culturais e esportivas no ambiente escolar.   

Formados por representantes da comunidade escolar e local – ou seja, estudantes, pais, professores, diretores e funcionários –, os conselhos escolares também são muito importantes para garantir a representatividade dos alunos. É neles que ocorrem o debate e a deliberação sobre questões político-pedagógicas, administrativas e financeiras dos colégios – sim, financeiras também, porque as escolas públicas têm que administrar um orçamento, prestar contas dos gastos e prever recursos para a manutenção de equipamentos e a realização de projetos, por exemplo. 

Vale lembrar ainda que as eleições para representantes de sala são muito importantes para desenvolver nas crianças a vontade de exprimir e ver refletidas suas vontades e anseios! Os professores devem incentivar esses processos, sempre por meio de muito diálogo.

Para nós, pais, outra forma de incentivar a participação das famílias na gestão da escola é, além do conselho escolar, por meio da Associação de Pais e Mestres (APM). Entre as atribuições da APM, temos: 

  • auxiliar a diretoria escolar para que ela cumpra o projeto político-pedagógico;
  • representar os interesses de pais e familiares perante a comunidade escolar;
  • atuar no âmbito financeiro da escola, decidindo como serão gastos os recursos administrados diretamente por ela.   

A gestão democrática das escolas é garantida por lei: consta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e também no Plano Nacional de Educação (PNE). Ser ativo e participativo é um direito dos alunos! 

Cidadania e ética são temas transversais que fazem parte do projeto político-pedagógico de grande parte das escolas brasileiras. Incentivar o interesse das crianças e dos jovens pela participação em decisões democráticas é importante para que eles tomem, progressivamente, consciência do seu papel de cidadãos –  fundamental para que cobremos nossos direitos e nos sintamos responsáveis por nossas decisões na vida em sociedade! Tenham cuidado com afirmações do tipo "Político é tudo igual!". Mais que preservar, precisamos cultivar e melhorar constantemente a qualidade da nossa democracia. Não foi fácil conquistá-la. Cada voto vale.

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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