Falta de Educação mata?

Priscila Cruz

Priscila Cruz

Há pouco mais de um mês, falei aqui que uma educação de má qualidade pode matar lentamente, já que reduz drasticamente as possibilidades e os caminhos que levam uma criança a uma vida adulta plena. Mas e a falta de educação? Não frequentar a sala de aula, seja ela boa ou ruim, pode matar? Todo mundo sabe que o melhor para os jovens em idade escolar é a escola. Mas será que entendemos de fato a importância disso?

Alguns dados revelam como a falta de educação pode matar os sonhos e, nos casos mais graves, tirar a vida dos jovens. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) – saiba mais: http://zip.net/bftqJY – mostra a correlação entre escolaridade e violência, e revela o seguinte cenário:

  • para cada 1% a mais de jovens brasileiros entre 15 e 17 anos na escola, há uma redução de 2% na taxa de assassinatos nos 81 municípios que concentram os bairros mais violentos do país;
     
  • os bairros com as melhores escolas têm as menores taxas de crime;
     
  • segundo os especialistas do Ipea, outros dados já conhecidos apontavam para essa relação – por exemplo: indivíduos com até sete anos de estudo têm 15,9% mais chance de sofrer um assassinato do que os que cursaram o Ensino Superior;
     
  • o período que vai dos 12 aos 30 anos é a fase da vida em que a probabilidade de cometer e sofrer crimes é maior.

Ou seja: estar na escola é, sim, uma forma de proteger e desenvolver a vida das crianças e dos jovens.

Outra pesquisa divulgada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) em julho parece confirmar esse triste quadro. O título, "Educação: blindagem contra a violência homicida?" já dá mais do que pistas da relação entre falta de educação e criminalidade (veja aqui: http://zip.net/bmtqPv). O estudo mostra que para cada jovem de 15 a 19 anos com doze ou mais anos de estudo – o equivalente, no Brasil, ao Ensino Fundamental e Médio completos – vítima de homicídio são assassinados outros 46 com até três anos de estudo. A diferença é assustadora.

Com tantas evidências sobre o papel da Educação para garantir a segurança da nossa juventude – e de todos –, por que ainda aceitamos que 2,8 milhões de crianças e jovens brasileiros estejam fora da escola? Precisamos zerar esse número! E faremos isso garantindo educação a todos eles. Cabe a cada um de nós incentivar aqueles que evadiram o retorno à escola. E, para que essa escola seja atraente e faça sentido para eles, há muita coisa a mudar. A mobilização de todos e de cada um de nós – propondo, cobrando e apoiando essas mudanças – é fundamental. Na próxima semana, vou falar sobre o projeto de reformulação do ensino médio, que visa justamente uma escola melhor e mais relevante.

Temos hoje jovens motivados em causas sociais e inovadoras, participando de projetos importantes para a sociedade brasileira. Devemos incentivar essas iniciativas, para que esse quadro melhore cada vez mais!

Priscila Cruz

Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. Graduada em Administração (FGV) e Direito (USP), mestre em Administração Pública (Harvard Kennedy School), foi coordenadora do ano do voluntariado no Brasil e do Instituto Faça Parte, que ajudou a fundar.

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